Uma jornada pelo cálculo diferencial com funções trigonométricas
Calcule as derivadas parciais ∂f/∂x e ∂f/∂y para a função:
Estamos diante de uma função composta: o seno aplicado à fração x/y
Para facilitar, vamos chamar u = x/y (nossa função interna)
Assim, f(x,y) = sen(u) onde u = x/y
A regra da cadeia nos diz: quando derivamos uma função composta, multiplicamos a derivada da função externa pela derivada da função interna.
Matematicamente: ∂f/∂x = (derivada do seno) × (derivada de x/y em relação a x)
Ou seja: ∂f/∂x = d/du[sen(u)] × ∂u/∂x
A derivada do seno é o cosseno: d/du[sen(u)] = cos(u)
Agora, precisamos calcular ∂u/∂x, ou seja, a derivada de x/y em relação a x (mantendo y constante)
∂/∂x(x/y) = (1)/y = 1/y
∂f/∂x = cos(u) × (1/y)
Substituindo u = x/y:
∂f/∂x = cos(x/y) × (1/y) = cos(x/y)/y
Ainda temos a função composta f(x,y) = sen(u) com u = x/y
∂f/∂y = d/du[sen(u)] × ∂u/∂y
A derivada do seno continua sendo: d/du[sen(u)] = cos(u)
Agora, precisamos calcular ∂u/∂y, a derivada de x/y em relação a y (mantendo x constante)
Podemos usar a regra do quociente. Ou, mais facilmente, podemos reescrever x/y como x·y⁻¹
∂/∂y(x·y⁻¹) = x · ∂/∂y(y⁻¹) = x · (-1·y⁻²) = -x/y²
∂f/∂y = cos(u) × (-x/y²)
Substituindo u = x/y:
∂f/∂y = cos(x/y) × (-x/y²) = -x·cos(x/y)/y²
Esse tipo de derivada aparece em problemas práticos como:
Encontre as derivadas parciais para a função:
Vamos primeiro definir u = (x²+y)/(x-y) e calcular suas derivadas parciais.
1. Aplicamos a regra do quociente:
∂u/∂x = [(denominador × derivada do numerador) - (numerador × derivada do denominador)] / (denominador)²
2. Identificamos as partes:
3. Substituímos na fórmula:
∂u/∂x = [(x-y)·(2x) - (x²+y)·(1)]/[(x-y)²]
4. Desenvolvemos a expressão:
∂u/∂x = [2x²-2xy - x²-y]/[(x-y)²]
∂u/∂x = [x²-2xy-y]/[(x-y)²]
5. Forma alternativa (equivalente):
∂u/∂x = [2x(x-y)-(x²+y)]/[(x-y)²]
1. Aplicamos a regra do quociente:
∂u/∂y = [(denominador × derivada do numerador) - (numerador × derivada do denominador)] / (denominador)²
2. Identificamos as partes:
3. Substituímos na fórmula:
∂u/∂y = [(x-y)·(1) - (x²+y)·(-1)]/[(x-y)²]
4. Desenvolvemos a expressão:
∂u/∂y = [x-y + x²+y]/[(x-y)²]
∂u/∂y = [x²+x]/[(x-y)²]
5. Forma alternativa (equivalente):
∂u/∂y = [(x-y)+(x²+y)]/[(x-y)²]
Como f(x,y) = cos(u) onde u = (x²+y)/(x-y), aplicamos:
∂f/∂x = d/du[cos(u)] × ∂u/∂x
A derivada do cosseno é -seno: d/du[cos(u)] = -sen(u)
∂u/∂x já calculamos acima: ∂u/∂x = [x²-2xy-y]/[(x-y)²]
∂f/∂x = -sen(u) × ∂u/∂x
Substituindo u e ∂u/∂x:
∂f/∂x = -sen((x²+y)/(x-y)) × [x²-2xy-y]/[(x-y)²]
Ou, usando a forma alternativa:
∂f/∂x = -[2x(x-y)-(x²+y)]·sen((x²+y)/(x-y))/[(x-y)²]
∂f/∂y = d/du[cos(u)] × ∂u/∂y
d/du[cos(u)] = -sen(u)
∂u/∂y = [x²+x]/[(x-y)²]
∂f/∂y = -sen(u) × ∂u/∂y
Substituindo u e ∂u/∂y:
∂f/∂y = -sen((x²+y)/(x-y)) × [x²+x]/[(x-y)²]
Ou, usando a forma alternativa:
∂f/∂y = -[(x-y)+(x²+y)]·sen((x²+y)/(x-y))/[(x-y)²]
Este tipo de derivada aparece em situações como:
Para a função a seguir, encontre os pontos críticos onde ∇f = 0:
Seja u = xy/(x²+y²). Para aplicar a regra da cadeia, precisamos calcular ∂u/∂x e ∂u/∂y.
Aplicamos a regra do quociente:
∂u/∂x = [(x²+y²)·∂/∂x(xy) - (xy)·∂/∂x(x²+y²)]/[(x²+y²)²]
Calculamos cada parte:
Substituímos:
∂u/∂x = [(x²+y²)·(y) - (xy)·(2x)]/[(x²+y²)²]
∂u/∂x = [x²y+y³ - 2x²y]/[(x²+y²)²]
∂u/∂x = [y³-x²y]/[(x²+y²)²]
∂u/∂x = [y(y²-x²)]/[(x²+y²)²]
Aplicamos a regra do quociente:
∂u/∂y = [(x²+y²)·∂/∂y(xy) - (xy)·∂/∂y(x²+y²)]/[(x²+y²)²]
Calculamos cada parte:
Substituímos:
∂u/∂y = [(x²+y²)·(x) - (xy)·(2y)]/[(x²+y²)²]
∂u/∂y = [x³+xy² - 2xy²]/[(x²+y²)²]
∂u/∂y = [x³-xy²]/[(x²+y²)²]
∂u/∂y = [x(x²-y²)]/[(x²+y²)²]
A derivada da tangente é sec²(u): d/du[tg(u)] = sec²(u)
Para ∂f/∂x:
∂f/∂x = sec²(xy/(x²+y²)) × [y(y²-x²)]/[(x²+y²)²]
Para ∂f/∂y:
∂f/∂y = sec²(xy/(x²+y²)) × [x(x²-y²)]/[(x²+y²)²]
Um ponto crítico ocorre quando ambas as derivadas parciais são zero:
∂f/∂x = 0 e ∂f/∂y = 0
Para ∂f/∂x = 0:
sec²(xy/(x²+y²)) × [y(y²-x²)]/[(x²+y²)²] = 0
Como sec²(u) nunca é zero para valores reais de u, precisamos que:
[y(y²-x²)]/[(x²+y²)²] = 0
Isso acontece quando:
Para ∂f/∂y = 0:
sec²(xy/(x²+y²)) × [x(x²-y²)]/[(x²+y²)²] = 0
Isso acontece quando:
Combinando as condições para ∂f/∂x = 0 e ∂f/∂y = 0, temos:
Caso 1: x = 0 e y = 0 (a origem)
Na origem (0,0), a função não está definida, pois teríamos tg(0/0). Portanto, (0,0) não é um ponto crítico.
Caso 2: x = y ≠ 0
Se x = y ≠ 0, então xy/(x²+y²) = x²/(2x²) = 1/2.
Estes são pontos críticos válidos, pois ambas as derivadas se anulam.
Caso 3: x = -y ≠ 0
Se x = -y ≠ 0, então xy/(x²+y²) = -x²/(2x²) = -1/2.
Estes também são pontos críticos válidos.
Caso 4: x = 0, y ≠ 0 ou x ≠ 0, y = 0
Se apenas uma das variáveis for zero, apenas uma das derivadas parciais se anula, não ambas. Logo, não são pontos críticos.
Os pontos críticos da função f(x,y) = tg(xy/(x²+y²)) são todos os pontos (x,y) onde:
Estes pontos formam duas linhas retas que se cruzam na origem, mas excluindo a própria origem, pois a função não está definida lá.
Encontrar pontos críticos é fundamental em várias situações do cotidiano:
Quando você ajusta o volume do seu fone de ouvido para o nível "perfeito" - nem muito alto nem muito baixo - você está intuitivamente buscando um ponto crítico!
Uma antena de comunicação tem eficiência modelada por:
Determine as coordenadas (x,y) que maximizam a eficiência da antena para x,y > 0.
Estamos trabalhando com uma função trigonométrica simples:
f(x,y) = cos(xy)
Esta função representa um padrão de ondas que se alterna entre valores máximos (1) e mínimos (-1).
Aplicamos a regra da cadeia para calcular ∂f/∂x:
∂f/∂x = ∂/∂x[cos(xy)]
= -sen(xy) · ∂/∂x[xy]
= -sen(xy) · y
∂f/∂x = -y·sen(xy)
De forma similar, calculamos ∂f/∂y:
∂f/∂y = ∂/∂y[cos(xy)]
= -sen(xy) · ∂/∂y[xy]
= -sen(xy) · x
∂f/∂y = -x·sen(xy)
Para encontrar pontos críticos, igualamos ∂f/∂x = 0 e ∂f/∂y = 0:
Da equação ∂f/∂x = 0:
-y·sen(xy) = 0
Isso ocorre quando:
sen(xy) = 0 quando xy = nπ, onde n é um inteiro (0, ±1, ±2, ...).
Da equação ∂f/∂y = 0:
-x·sen(xy) = 0
Isso ocorre quando:
Combinando as condições de ambas as equações:
Caso 1: Se y = 0, a primeira equação é satisfeita. Para a segunda equação ser satisfeita também, ou x = 0 ou sen(xy) = 0. Como y = 0, temos xy = 0, então sen(xy) = 0. Portanto, qualquer ponto (x,0) onde x > 0 é um ponto crítico.
Caso 2: Se x = 0, a segunda equação é satisfeita. Para a primeira equação ser satisfeita também, ou y = 0 ou sen(xy) = 0. Como x = 0, temos xy = 0, então sen(xy) = 0. Portanto, qualquer ponto (0,y) onde y > 0 é um ponto crítico.
Caso 3: Se sen(xy) = 0, então xy = nπ onde n é um inteiro. Isso ocorre quando xy = 0, π, 2π, 3π, etc. Então temos pontos críticos quando:
Para determinar quais desses pontos críticos maximizam a função, analisamos o valor da função em cada caso:
f(x,y) = cos(xy)
Sabemos que o cosseno atinge seu valor máximo de 1 quando seu argumento é 0, 2π, 4π, etc.
Considerando os pontos críticos encontrados:
Para pontos onde xy = 0:
f(x,0) = cos(0) = 1 para qualquer x > 0
f(0,y) = cos(0) = 1 para qualquer y > 0
Para pontos onde xy = π:
f(x,π/x) = cos(π) = -1
Para pontos onde xy = 2π:
f(x,2π/x) = cos(2π) = 1
Portanto, a função f(x,y) = cos(xy) atinge seu valor máximo de 1 quando:
A eficiência máxima da antena (valor 1) ocorre em infinitos pontos: em qualquer ponto do eixo x ou y, e ao longo das curvas definidas por xy = 2nπ, onde n é um inteiro positivo.
Este tipo de função trigonométrica e seus pontos críticos aparecem em diversos contextos:
Quando você ajusta a posição de duas fontes de Wi-Fi para maximizar o sinal em uma área específica, está lidando com um problema de otimização que envolve funções trigonométricas semelhantes!